‘Queria matar o máximo’: delegado detalha motivação e reconstitui ataque a creche em SC


Por Catanduvas Online

14/05/2021 18:02



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Dez dias após o ataque na creche Pró-Infância Aquarela, na cidade de Saudades, no Oeste catarinense, a Polícia Civil revelou detalhes da investigação do crime. O atentado brutal deixou cinco pessoas mortas, entre elas três bebês com menos de dois anos e duas educadoras.

 

Entre os destaques revelados no inquérito estão que o autor do ataque, de 18 anos, agiu sozinho. Ele foi motivado pelo ódio à sociedade em geral, sem incentivo de algum grupo específico. O jovem comprou as armas do crime – espécie de espadas ou adagas – pela internet, e as recebeu cinco dias antes da chacina, por encomenda.

 

O autor do atentado está no Presídio Regional de Chapecó, após permanecer oito dias internado no HRO (Hospital Regional do Oeste) para tratar lesões causadas por ele mesmo na hora do ataque, em tentativa de suicídio. Ele foi autuado em flagrante por cinco homicídios e uma tentativa de homicídio – todos triplamente qualificados.

 

Agiu sozinho e com consciência

 

De acordo com o delegado da Polícia Civil, Jerônimo Marçal Ferreira, responsável pelo caso, ao ser interrogado o rapaz confessou o crime e admitiu que fez tudo planejado com antecedência. O interrogatório ocorreu no HRO e durou cerca de 1 hora. 

 

O jovem não ficou falado e também não exigiu a presença de um advogado, fez questão de prestar as informações solicitadas pela Polícia Civil de forma espontânea.

 

“Ele tem consciência do que fez, isso mostra que tinha discernimento de tudo. Não há qualquer indicativo que alguém tenha lhe auxiliado”, salientou.

 

Ferreira detalhou que na manhã do dia 4 de maio o jovem foi trabalhar normalmente, saiu no intervalo, foi para casa e depois se deslocou até a creche, por volta das 09h50.

 

Conforme o delegado, o autor queria matar o máximo possível de pessoas e, por isso, agiu com pressa correndo entre as salas para tentar atingir as pessoas. “Ele agiu com crueldade, frieza e covardia, e tem sim que ser responsabilizado pelos crimes graves e cruéis que cometeu”.

 

Perfil do assassino: solitário ao extremo

 

O delegado ressaltou que o jovem era uma pessoa isolada e que tinha dificuldade de relacionamento em um nível muito acima do normal, inclusive com a própria família.

 

“A família se reunia para jantar, ele pegava o prato e ia para o quarto. Quando queria comprar uma roupa, pedia para que a mãe fizesse isso. Ele foi se isolando cada vez mais nos últimos tempos e entrou em um mundo onde começou a ter contato com materiais violentos [fotos e vídeos] e a alimentar esse ódio nele”.

 

A investigação aprofundou detalhes da vida do jovem e também como se comportava na internet e identificou que o crime era premeditado desde o ano passado. 

 

“Ele não tinha ódio contra um grupo específico, criou esse ódio generalizado. Ele tinha acesso a muito conteúdo inapropriado e contato com pessoas que com pensamentos ruins e violentos, mas não tinha acesso a deep web“, acrescentou.

 

Família teve contato com as armas

 

O delegado informou que primeiramente o jovem tentou adquirir uma arma de fogo, mas não obteve êxito e por isso comprou as armas brancas pela internet. “Elas chegaram na casa dele cerca de cinco dias antes do ataque. A família chegou a ter contato com elas, mas não sabia do que se tratava”. A definição da chacina foi feita no dia em que as armas chegaram.

 

Investigação antecipou atentados em outros estados

 

Durante a investigação, a Polícia Civil contou com troca de informações com agências do FBI nos Estados Unidos.

 

O delegado regional Ricardo Casagrande acrescentou que, com a troca de informações com outros quatro estados, foi possível impedir ações semelhantes.

 

“As ações não tinham ligações com o fato ocorrido em Saudades, mas diante do que foi extraído dos equipamentos, conseguimos identificar que outras pessoas tinham intenções semelhantes ao jovem de Saudades. Eles permanecem sob investigação em seus respectivos estados”.

 

Preso em cela isolada

 

O jovem segue preso desde a quarta-feira (12), quando recebeu alta hospitalar. O Deap (Departamento de Administração Prisional) revelou que ele ficará em quarentena por alguns dias, como protocolo de controle à Covid-19, mas não repassou detalhes da cela onde o rapaz está preso.

 

Ao ND+, o diretor do Complexo Prisional, Alecsandro Zani, contou que após o período de quarentena, o assassino passará por avaliação da equipe técnica composta por psicóloga, psiquiatra e setor de segurança para definir se terá condições de ser alocado com demais apenados ou será mantido isolado dos demais.

 


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Fonte: ND Mais