Operação do GAECO mira esquema de fraude que desviou mais de R$ 330 mil de universidade catarinense

Mandados foram cumpridos em dois estados e investigação aponta uso de “laranjas”. Operação é em conjunto com polícia do Oeste.


Por Catanduvas Online

15/01/2026 08:14



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O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina, deflagrou na manhã desta quinta-feira (15) a Operação Blind Eye, com o objetivo de desarticular um esquema sofisticado de fraude financeira que causou prejuízo superior a R$ 330 mil a uma instituição de ensino superior sediada no estado.

 

A ação foi conduzida pelo CyberGAECO, em parceria com a 1ª Delegacia de Polícia Civil de Chapecó. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nos estados de Goiás e do Rio Grande do Sul. A operação teve como foco desmantelar a estrutura financeira utilizada para movimentar e ocultar os valores desviados.

 

As investigações identificaram seis pessoas consideradas essenciais para o recebimento e a distribuição do dinheiro. Conforme apurado, os suspeitos atuavam como “laranjas conscientes”, cedendo voluntariamente contas bancárias e dados pessoais em troca de vantagens financeiras. A Vara Regional de Garantias da Comarca de Chapecó também autorizou a quebra dos sigilos bancário e telemático dos investigados, permitindo o mapeamento de uma rede complexa de contas usada para fragmentar os valores, prática comum em esquemas de lavagem de dinheiro.

 

Segundo a Polícia Civil, o golpe foi aplicado com o uso de malwares bancários avançados, capazes de capturar as credenciais de acesso de uma funcionária da instituição. Em uma ação rápida, os criminosos realizaram transferências via Pix, TED e pagamentos de boletos, totalizando um prejuízo de R$ 339.930,00. Para dificultar a identificação, o grupo utilizou infraestrutura tecnológica internacional, incluindo VPNs hospedadas no exterior, com servidores localizados na Holanda. Ainda assim, análises técnicas e financeiras conseguiram rastrear todo o caminho do dinheiro.

 

Nesta fase da investigação, o foco é responsabilizar os titulares das contas bancárias utilizadas no esquema. De acordo com o inquérito, os envolvidos não são vítimas de uso indevido de dados, mas participantes ativos da fraude, que contribuíram de forma consciente para a prática criminosa.

 

A operação contou com o apoio do GAECO do Ministério Público de Goiás, das Polícias Civis do Rio Grande do Sul e de Goiás, além da ROTAM e da Polícia Militar de Goiás durante o cumprimento das ordens judiciais.

 

Significado do nome da operação

 

O nome “Blind Eye”, que em inglês significa “Olho Cego”, faz referência à Teoria da Cegueira Deliberada. O conceito jurídico descreve a conduta de quem ignora intencionalmente sinais claros de ilegalidade para obter vantagens financeiras, atuando como facilitador de crimes como fraudes cibernéticas e lavagem de dinheiro.

 

Todo o material apreendido será encaminhado à Polícia Científica para análise pericial. Os resultados devem contribuir para o avanço das investigações, que seguem sob sigilo e podem revelar novos envolvidos e ampliar a dimensão do esquema criminoso.

 


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Fonte: Eder Luiz Notícias