STF reconhece direito de Claudia Tavares responder recursos em liberdade, mas prisão segue válida
Defesa aguarda julgamento de apelação marcado para fevereiro de 2026; caso teve grande repercussão em Lacerdópolis
Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu que Claudia Fernanda Tavares poderia ter respondido ao processo em liberdade. A informação foi confirmada pela rádio Capinzal FM, que acompanha o caso desde o início.
Claudia foi condenada em agosto de 2025 a 20 anos de prisão pela morte do companheiro, Valdemir Hoeckler. O crime ocorreu em 2022, no município de Lacerdópolis, no Meio-Oeste de Santa Catarina.
O despacho foi assinado no dia 19 de dezembro pelo ministro André Mendonça, após a análise de um habeas corpus apresentado pela defesa. Com a decisão, foi derrubada a prisão preventiva que havia sido restabelecida durante o andamento do processo. Segundo o advogado Matheus Molin, o entendimento do STF é de que Claudia não deveria ter permanecido presa antes do julgamento.
No entanto, a decisão não resulta na soltura imediata da ré. Isso porque, após a condenação pelo Tribunal do Júri, passou a valer a determinação que mantém Claudia presa com base na sentença condenatória. De acordo com a defesa, a situação jurídica atual é regida pela decisão do júri, e não mais pela prisão preventiva.
Os advogados afirmam que, ao longo de todo o processo, Claudia cumpriu as determinações judiciais, compareceu às audiências e colaborou com as autoridades. Para a defesa, o período em que ela permaneceu presa antes do julgamento prejudicou o andamento do caso, que agora será analisado por instâncias superiores.
Em nota, a defesa informou que o recurso de apelação já foi protocolado e deve ser julgado em fevereiro de 2026. Os advogados acreditam que a decisão do STF reforça o pedido por um novo julgamento, com reavaliação dos fatos.
Relembre o caso
O crime que causou grande comoção em Lacerdópolis foi descoberto em novembro de 2022, quando o corpo de Valdemir Hoeckler, de 52 anos, foi encontrado dentro de um freezer na própria residência. Ele estava desaparecido havia cinco dias. O corpo estava escondido sob alimentos e bebidas, com mãos e pés amarrados.
No mesmo dia em que o crime veio à tona, Claudia publicou um vídeo nas redes sociais assumindo a autoria e alegando que sofria violência doméstica. Durante as investigações, porém, surgiram contradições. Depoimentos de pessoas próximas e mensagens trocadas pelo casal indicavam uma convivência aparentemente normal.
O Ministério Público denunciou Claudia por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Conforme a acusação, ela teria dopado o companheiro, imobilizado a vítima e causado sua morte por asfixia, além de tentar enganar a polícia ao registrar o desaparecimento.
Claudia passou por períodos alternados de liberdade e prisão ao longo do processo e foi novamente detida em maio de 2025. Em agosto, acabou condenada pelo Tribunal do Júri a 20 anos de prisão.
Fonte: Eder Luiz Notícias

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